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21 de mar de 2009

O TRABALHO ANDA DE TREM POR TRÁS DA CORTINA VERDEAMARELA (Estação segunda)


A noiva comprime as coxas e se curva sobre o assento de ferro cromado
para ocultar a virgindade psicológica de uma inocência certamente rara
entre as princesas da Inglaterra.

Um grupo de soldados e conscritos espreme o corpo de uma prostituta
que os alimenta de calor e leite. A paisagem noturna engole a máquina
como a um rio o mar aberto.

Adolescentes operárias debocham de suas relações concubinárias
com um salário mínimo obsceno. O menino desembrulha um pedaço
de pão adormecido e janta solitário...

A máquina metálica se torce e se contorce como besta amordaçada.
Serpente que engoliu uma república regida pelo desgoverno.
Embarca-se. Não se pergunta nada. Não se olha para os lados.
Pensa-se baixo para não acordar a máquina de seu programa de viagem.
Não se pode baldear em movimento.
Ame-a ou deixe-a. Mas não se força a porta.
Não se arranham bancos.
Não se quebram vidros.

A. Estebanez

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