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21 de mar de 2009

O TRABALHO ANDA DE TREM POR TRÁS DA CORTINA VERDEAMARELA(Estação primeira)


Por trás da cortina verdeamarela o trabalho
anda de trem como num túnel de emergência por onde escapam
os salvados de um terremoto. Ninguém transporta nada
além da própria condição de sobrevivente.

Não é a máquina que torna possível a viagem.
É essa concordância tácita com repartir misérias e grandezas
em alta velocidade. É como se todos duvidassem da multiplicação
dos pães e, no entanto, aguardassem a hora do milagre...

Cada um é vítima e carrasco, autor e cúmplice da história comum.
Pernas se misturam e se desgarram e se cruzam e se repartem
num ritual de corpos coletivos que se movem solidários.

Todos se reconhecem pela angústia que não está na face eletromecânica.
Mas na roupa, no embrulho, na marmita, na mala, no sapato vagabundo...
O mendigo percorre o tempo sobre rodas com um saco de estopa
sobre os ombros... Como princípio e fim de cada um.

A. Estebanez 06/04/08 Afonso Estebanez

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