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26 de mar de 2009

CRÔNICA POÉTICA DOS HERDEIROS DE GARVAIA (Modo 12)


Meninos, eu vi!...

O rio caudaloso onde todos vêm beber:
o quilombo e a nobreza apeada do poder...
da ermida a esguia sombra e a noite na mortalha...
o abutre da casa-grande e o cordeiro da senzala...
o falcão da catedral e a andorinha campesina...
a pomba do espírito santo e a ave de rapina...
a serpente rastejante e o condor – fênix do céu...
o descontente do rei e os contentes do bordel...
o escravocrata lapidado a golpes de melodrama...
o burguês bayroniano literomaníaco de spleen...
o cangambá morossoca tedesco-sorobacana...
o corvo republicano do golpe de Aberdeen...

O dia da lembrança de morrer...
Deixar a vida como deixa o tédio
do deserto o poente caminheiro...
A pálpebra demente
o delirium tremens
o longo pesadelo
a face macilenta
esse infinito anelo
o desespero pálido
o anêmico azevedo
o lati-sem-fúndio
a placidez do lago
a solidão do ermo
o tremedal profundo...

Afonso Estebanez

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