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19 de mar de 2009

CORPO DE DELITO (Inventário & Conclusão)


Imagem: Tumulo de Pablo Neruda

Tudo o que me cumpre registrar agora
é o cadáver de uma doméstica despida
concluindo o relato de corpo de delito
de uma mulher aparentemente suicida...

Uma vela acesa no fundo de um prato
raso e um punhado de rosas vermelhas
num vaso e um cigarro barato apagado
no cinzeiro junto a um copo de vinho
sobre a mesa. Uma foto de um menino
louro ausente e uma traça na bainha
de um vestido. Essa pobreza presente
e um bilhete escondido entre as flores...
Mais um caso de amor mal resolvido.
Suicídio? O veneno na pia do banheiro
uma cômoda, uma moringa, um pente
o espelho partido, um velho chaveiro.
Um colchão, um lenço, uma foto 3x4
e um beijo de batom no travesseiro...

E, assim, o instante esperado
do inesperado acontecimento
o mistério profundo no fundo
da lama
da chama
da cama...
E seu maior milagre do mundo:
a esperança da vida inteira
desesperada num segundo...

A. Estebanez

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