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15 de mar de 2009

CANÇÃO JUNTO AO BERÇO



Johanna veio correndo
abrindo o corpo no vento
colher a rosa do amor
plantada à beira do tempo.

Johanna chegou na voz
da canção que não havia...
O mundo todo chorava
e só Johanna se ria.

E doce fazia o pranto
aquilo que ela cantava...
Se Deus ouvia seu canto,
seu anjo comemorava.

E tudo o que traduzia
sua canção tão serena
era a voz que não se ouvia
do seu lamento sem pena.

E pus seu sonho no vento
para ver aonde ele iria,
pensando que o vento fosse
sua triste cotovia...

Mas era uma ave tão leve
e sua canção tão suave
que até quase só me lembro
da canção e não da ave...

Johanna se deu à luz
do oriente à maresia
e a aurora de seu corpo
se deu ao corpo do dia.
Passageira do infinito
que os sonhos agasalharam,
Johanna matou a fome
dos sonhos que a devoraram.

Pôs seus desejos nos rios
nos campos tanta esperança
que sua alma vive em tudo
enquanto o corpo descansa.

Há tempos me vem dizendo
palavra que não se ouvia...
Calada falava mais
do que aos gritos me dizia...

Vim devolver-te o caminho
que não foi de sombras nem sol
nas praias das mãos sem pedras
banhadas em mel e sal.

Vim devolver-te a esperança
na pousada de meus braços
sem vigília e sem pernoite
sem descanso nem cansaço...

Vim devolver-te meu pão
meu trigo meu alimento
que meus moinhos parados
deixaram passar no vento...

Mares calmos de enseadas
de meu sangue navegante...
Devolver-te o que me resta
no infinito desse instante!

A. Estebanez
(Poema dedicado à minha filha Johanna Estebanez Stael)

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