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8 de mai. de 2009

ENCONTRO MARCADO


ENCONTRO MARCADO

Teu futuro é o meu agora
do teu tempo despertado
o chegar antes da aurora
de teu encontro marcado

o que chega vai embora
em pedaços de passado
o presente não tem hora
só meu agora esperado

meu amor estava longe
e nem Deus sabia onde
teu amor o encontraria

foi preciso então morrer
e esperar meu renascer
para ver se eu te veria...

Afonso Estebanez
(Dedicado à amiga
Rosilene Barreto Martins)

PERDÃO DE AMOR


PERDÃO DE AMOR

Passo noites bordando com retalhos
pedaços dos momentos de ternuras
com que fiz das estradas os atalhos
perdidos entre estrelas de venturas.

Não sei o que falar dos espantalhos
que falaram de mim essas loucuras
de caminhar no céu entre cascalhos
por amor e prazeres de aventuras...

Jamais pensei que dor doesse tanto
de amor e que de mero desencanto
padecesse de espinhos minha flor...

Levo culpas, mas não resta culpada
minh’alma por princípio inocentada
perante um justo tribunal de amor!

Afonso Estebanez
(Poema dedicado à poetisa
Glória Maria de Anchieta)

AMAR DO VERBO AMOR


AMAR DO VERBO AMOR

O amor não se conjuga no passado.
Contudo, se o amor de Deus passar...
Amor é instinto humano sublimado
e instintos não se podem conjugar...

Não amo amor que deva ser amado
segundo me convenha o verbo amar...
O amor é graça e nasce conjugado
como o fascínio que me traz o mar...

O amor é dom e nunca se ressente
do menos-que-perfeito do presente
nem do perfume se ressente a flor.

Juro por todo o amor que me doeu
que tanto que me dói ainda é meu
o presente de amar do verbo amor...

Afonso Estebanez
(Dedicado ao poeta carioca Théo Drummond
– membro da Academia Brasileira de Poesia)

SE NÃO FOSSE O LIRISMO...


Tela de Pino

SE NÃO FOSSE O LIRISMO...

Pois que farto de mim meu verso tem andado
os poemas me fazem para que me entendam!
Porque o lirismo de meus versos é extremado
componho versos para que me compreendam!

Nem sei porque o lirismo tem que ser julgado
se não há flor de que poemas se arrependam
se nem o amor por desamor me é condenado
e na paixão quantos mistérios se desvendam!

Falo aos gritos de mágoas e o luar me escuta
a alma vai à guerra e é meu amor quem luta
nem sei porque o lirismo infenso a tanta lida!

Meus versos sem lirismo é fado sem destino
como polens de amor no vento em desatino
sem as rosas que dão sentido à minha vida!...

Afonso Estebanez
(Dedicado ao poeta petropolitano
Sylvio Adalberto Nascimento – Presidente da
Academia Brasileira de Poesia)

DOCEMENTE AMARGO


Tela de Pino

DOCEMENTE AMARGO

Teu amor é como a pluma
de uma luz na madrugada
não ama aurora nenhuma
que não a luz da alvorada...

Meu amor foi uma escuna
sem partida nem chegada
na noite escura da bruma
de uma dor não dissipada...

Teu amor é como os rios
conduzindo meus navios
que se perderam do mar...

E o amor doeu-me tanto
como dói só por encanto
pelo encanto de te amar...

Afonso Estebanez
(Dedicado com carinho
à amiga Meriane Pinheiro)

ADÁGIO COM SENTIMENTO



ADÁGIO COM SENTIMENTO

Ah, os dedos entre as pétalas de rosas brancas
sentimento da alma em todo o amor do mundo
nas teclas de um piano as flautas doem tantas
quantas doem as mágoas de meu ser profundo.

Cantata ou fuga entre crepúsculos em quantas
semibreves de outono vai-me o amor fecundo
esse cantar de sonho com que tu me encantas
segundo o nunca mais de apenas um segundo.

O compassado amor – em dor menor – talvez
enquanto a noite for meu lume inda que tarde
o compensado amor – em dor maior – jamais!

Que toda aurora é o anoitecer de alguma vez
meu dia é essa canção composta de saudade
e minha noite quase sempre é um nunca mais...

Afonso Estebanez
(Homenagem ao amigo Juarez Santos)

CENTELHA

CENTELHA


Nunca espero desta vida

o que a vida não me deu

minh'alma compadecida

é do amor que renasceu.


Corações a toda a brida

o meu nas beiras do teu

mas tu amavas dividida

sem saber qual era meu.


Montanhas a fé remove

e o amor é que comove

a centelha dessa chama


que me dói e não apaga

e me diz que não acaba

que o amor inda te ama.


Afonso Estebanez

(Poema dedicado à gentil

amiga Priscilla Basílio)


MYSTERY


MYSTERY

Como a noite no encontro vagaroso
com o dia nas fímbrias do horizonte
vem teu sentido ao ímpeto amoroso
de me tomar a mim por teu amante.

Porém não sei haver tão venturoso
destino que me mate e desencante
desse amor feiticeiro e olhar ditoso
de um gozo que me faz agonizante...

Amar é abismo oculto numa estrada
pois que mistérios de princípio e fim
o que nem mesmo Deus deve saber...

Da alcova de minh’alma apaixonada
meus olhos dizem coisas sobre mim
que meus lábios jamais podem dizer...

Afonso Estebanez
(Homenagem Especial a Raul de Leoni
– Academia Brasileira de Poesia)

Uma flor só se envolve com o vento


Uma flor só se envolve com o vento
uma rosa se envolve sem queixume
não se colhe uma flor por desalento
ou pelo assédio intenso do perfume.

Se queres teu amor refaça o tempo
vê como faz um simples vaga-lume
que gera a luz ao fado do momento
e faz que a noite sua aurora exume.

Deixo-te rosas fartas sem espinhos
esvaziando de mim tantos carinhos
para logo voltar se nem sei quando...

E quando o dia anteceder a aurora
verás assim que nunca fui embora
pois nunca paro de ficar chegando...

Afonso Estebanez
(Dedicado às comunidades:
“Confrarias Poéticas I e II”
Porto Alegre e Joinvile – RS)

ALMA DE POETA


ALMA DE POETA

Exuma desse amor que a poesia
é dom da liberdade de um poeta
como a aurora na estrela luzidia
é dom do novo dia que desperta...

As almas dos poetas são magia
onde o ser infinito se completa
em orgasmos de paz ou agonia
feliz de reviver só do que resta...

Poeta não é presa dos sentidos
é o exílio dos pássaros banidos
de alma livre ou cativa se quiser...

Só há um ser de amor e alma repleta
capaz de cativar a alma de um poeta:
é o ardoroso coração de uma mulher...

Afonso Estebanez

SONHO ANDARILHO


SONHO ANDARILHO

O sonho é o andarilho da memória
e minha alma é apenas sua estrada
onde o amor recomeça a trajetória
por atalhos de acesso sem entrada.

Nem sempre há personagem numa história.
Nem sempre uma lembrança é relembrada.
Mas quase nunca o pesadelo é uma aurora
para alguns sonhos dissipados na alvorada.

Ai de mim, tua rota de lembrança...
Ai de ti, meu roteiro de esperança
remida pelo olhar dos passarinhos...

Contorno os rios tortos e consulto o mapa
para chegar, inda que morto, àquela etapa
onde morrer seja melhor em teus carinhos...

Afonso Estebanez

SONETO DA CANÇÃO REPOUSADA


SONETO DA CANÇÃO REPOUSADA

Eu devo acontecer como acontece a noite
em teu corpo de rosas repousado em mim.
Os ventos passarão calados sem pernoite
e a noite transformada em relva no jardim.

A voz da chuva não será nem leve açoite
pois velarei teu sonho como um querubim.
Então te lembrarás de mim: o tempo foi-te
passando e de saudade fui ficando assim...

De olhos abertos para a noite remansosa
entre os vestidos da lembrança vagarosa
que ainda repousa no silêncio da canção...

Eu devo acontecer como acontece a flor
renascida das cinzas da canção de amor
que guardo nas ribaltas do meu coração...

Afonso Estebanez

POETA & POEMA



Nunca soube que poeta

vai a sonho sem poesia.

Ou que a lira do profeta

firma a fé sem profecia...


Meu amor sequer sabia

que curva é a linha reta

de um sonho à fantasia

que desfeitos não afeta


até que a morte desfaça

a distância tão pequena

ou que a vida me refaça


o despedir-se sem pena

o poeta – é o que passa

o que fica – é o poema...


Afonso Estebanez

POEMIA



POEMIA

Observo quando e como escreves versos
percorrendo as veredas dos teus sonhos...
Contemplo aos teus segredos submersos
a alma envolta em tempos mais risonhos.

Tu reencontras teus sonhos já dispersos
no ofício de encontrar os que tristonhos
perderam-se no tempo entre os reversos
dos anos e os encantos de entressonhos.

Chão de estrelas, teu céu de devaneios!
Tu caminhas, poeta, aos fins dos meios
entre as safras de amor e não de penas...

Em versos te devolvo a oferta e os dias
e flores que me deste o amor e a poesia
dos versos que compõem meus poemas...

Afonso Estebanez
(Poema dedicado à poetisa Marta Peres)

SONETO DA CANÇÃO REPOUSADA


SONETO DA CANÇÃO REPOUSADA

Eu devo acontecer como acontece a noite
em teu corpo de rosas repousado em mim.
Os ventos passarão calados sem pernoite
e a noite transformada em relva no jardim.

A voz da chuva não será nem leve açoite
pois velarei teu sonho como um querubim.
Então te lembrarás de mim: o tempo foi-te
passando e de saudade fui ficando assim...

De olhos abertos para a noite remansosa
entre os vestidos da lembrança vagarosa
que ainda repousa no silêncio da canção...

Eu devo acontecer como acontece a flor
renascida das cinzas da canção de amor
que guardo nas ribaltas do meu coração...

Afonso Estebanez

7 de mai. de 2009

POETA & POEMA




Nunca soube que poeta
vai a sonho sem poesia.
Ou que a lira do profeta
firma a fé sem profecia...

Meu amor sequer sabia
que curva é a linha reta
de um sonho à fantasia
que desfeitos não afeta

até que a morte desfaça
a distância tão pequena
ou que a vida me refaça

o despedir-se sem pena
o poeta – é o que passa
o que fica – é o poema...

Afonso Estebanez

JORNADA




Eu marco meus desencontros
de mim mesmo em alvoradas
para que dos meus encontros
as manhãs não fiquem tardas.

Os sonhos que tenho prontos
são de outras vidas passadas,
mas retraço seus reencontros
quando estão desencontradas.

Não pergunto nem respondo
de chegar eu não sei quando
aonde o amor é minha fome.

Pouco importa o entardecer
se na aurora eu vou morrer
da paixão que me consome...

Afonso Estebanez

Entre luz & Sombras

ENTRE LUZ & SOMBRAS


Coloco-me de costas para o sol nascente

a sombra me vai só na via da lembrança

e o meu amor vai só na alma indiferente

jacente na canção remota da esperança.


Lembro de sonhos do futuro no presente

de reviver amores que o esperar alcança

das rosas fugidias de um jardim ausente

a despeito dos amanhãs em abundância.


A noite é feita de uma luz remanescente

a beirada da aurora é que me recomeça

pela estrada de volta para o meu futuro.


Vaga-me a alma pelos restos do poente

chegar é só o sonho para quem começa

e começar é conseguir andar no escuro.


Afonso Estebanez

(Dedicado ao notável poeta

Jenário de Fátima)

A FOTO NA PAREDE

A FOTO NA PAREDE


Meu retrato na parede

só traz uma novidade:

o fundo tinto de verde

ficou tinto de saudade.


O olhar pálido de sede

no poço da eternidade

é a luz filtrada na rede

da grade da liberdade.


Uma ruga me comove

de ter restado na vida

do nada que me ficou.


E só o sonho se move

na retina amanhecida

desta foto que restou.


Afonso Estebanez

(Dedicado com muito carinho

à amiga Lucia Borini Simões)

26 de mar. de 2009

MEU HINO NACIONAL DE AMOR


Nas alvas pétalas de rosas que me envias
reescrevo os versos amorosos que te dei.
Teu coração relembra enquanto tu recrias
os afetos dos versos que ainda escreverei.

Apraz a alma que a alvorada de teus dias
renasça da esperança com que te sonhei:
com o encantar-te o coração das alegrias
de uma rainha que se encanta de seu rei.

Aprendi a escrever no topo da esperança
hasteando versos na colina da lembrança
do jardineiro que não sabe de outra flor...

E assim das pétalas da minha rosa única
os versos ao amor me servirão de túnica
e tu! Serás meu hino nacional de amor!...

A. Estebanez

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