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9 de nov. de 2014

ROSAS DO SUL



Repousei minhas rosas andarilhas
numa ilha de agaves sem encanto
um deserto enfeitado de gravilhas
em vias de morrer de desencanto.


Com amor infinito a flor-do-campo
abraçou minhas rosas como filhas
do pólen que gerou o terno canto
do pranto ritmado em redondilhas.

Enquanto havia pausa obrigatória,
julgava que estivesse na memória
esse destino de seguir em frente.

Não só! Eu sou o espírito da rosa
que exalta essa paixão misteriosa
que por amor revive para sempre!

Afonso Estebanez – 03.11.2014

 
(Dedicado a Maria Madalena Cigarán – a Dama das Rosas
tintas de vinho e sangue da extrema liberdade concebida!).

22 de mai. de 2014

SONETO PARA NAVEGAR...



Há um tempo na vida que supomos
ter vencido sem trauma nem feridas
olvidando o sangrar das despedidas
sofridas nos poentes dos outonos...

E há um tempo de rosas renascidas
dos áridos desertos que nós somos
não obstante o estio vão os pomos
adoçando o penar de nossas vidas!

Ainda há um tempo que a saudade
como um rio que chora de piedade
nosso pranto carrega para o mar...

E vai além o nosso amor profundo
cantando no crepúsculo do mundo
a canção que a razão faz navegar!

Afonso Estebanez – 13.05.2014
(Composição dedicada à gentil amiga
Professora Nídia Horta, com carinho)

24 de abr. de 2014

QUEM QUER QUE SEJA...


Quem quer que seja vem vindo
mar adentro ao ventre afora...
Lua cheia num crepúsculo
navegando rumo à aurora...

Quem quer que seja vem vindo
como a flor recém-nascida
na parte reencontrada
de minha parte perdida.

Vem vindo do lado alegre
de meu lado descontente
vivendo do instante eterno
de viver eternamente...

Como canção pressentida
num leve roçar do vento
na superfície das águas
serenas do pensamento.

Qualquer semente cativa
na flor do ventre a pulsar...
Qualquer estrela cadente
nas águas fundas do mar...

Quem quer que seja vem vindo
dos meus instintos secretos
como um anjo reencontrado
no exílio de meus afetos...

Maior que o reino infinito
dos sonhos com que me iludo
quem quer que venha... sem nada...
em mim é dono de tudo...

Afonso Estebanez
(Dedicado ao meu filho Mark R. Estebanez Stael)

Arte :
Isabelle Vavasseur

27 de mar. de 2014

DEUS GUARDA MINHA CANÇÃO

Eu existo porque canto.
Nada sei, senão cantar...
Encanto por desencanto
ou canto para encantar.

Tenho a alma das violas
nas danças de desfastio
e beijos de castanholas
nas horas de meu estio...

É acalanto quando calo
como flauta sussurrada
no canto mudo do galo
que perdeu a alvorada...

É mudez do vasto espanto
de ver tanto amanhecer...
Não é mágoa nem é pranto
mas o encanto de nascer.

Eu trago memórias fartas
das almas dos bandolins
das guitarras e das harpas
dos corais dos querubins...

Não é magia nem fado
o louvor que me conduz
pelas veredas do prado
dos rebanhos de Jesus...

Afonso Estebanez
(Obra inédita dedicada á Pra Zenet Garcia Pereira
– que durante esse meu primeiro ano de literatura
virtual tem sido a guardiã desta canção de louvor)

'NA BEIRADA DO CAIS'


Embarcado o poema,
o mar diz ‘nunca mais’...
Solto ou não as amarras
toco ou não meus navios
para longe do cais...

Desembarco o poema,
o mar cala os meus ais...
Assim deixo a saudade
rebocar meus navios
para perto do cais...

Feliz é a hora desmarcada
de pena da dor embarcada
no adeus da beira do cais!

Afonso Estebanez
(Dedicado ao notável poeta fluminense
Rodrigo Octávio Pereira de Andrade –
Cônsul de Poetas del Mundo para Cabo Frio/RJ
e Membro da Academia Cabista de Letras,
Artes e Ciências de Arraial do Cabo-RJ)

8 de jul. de 2010

LÁGRIMA


Lágrima é um brilhante lapidado
pela luz da manhã ao despontar
uma gota de orvalho perfumado
no frasco de cristal do teu olhar.

É nascente de um rio represado
que te chora na face sem penar
o epílogo de um livro já fechado
com um ponto final para chorar.

E vejo com o teu olhar de Shiva
que doer é a forma compassiva
de uma lágrima gotejar perdão.

Repousa-me na dor de tua cruz
e me cubra com lágrimas de luz
no calvário de paz do coração...

Afonso Estebanez
(Para Anna Ortiz com o meu carinho)
28/04/2010

10 de abr. de 2010

MEU REBANHO DE SAUDADE


Que saudade dos sonhos que perdi
do amanhecer do tempo de sonhar
ao termo da paixão que eu não vivi
por ter adiado o tempo para amar.

Que saudade de quando eu padeci
feliz de amargurar-me sem chorar
das feridas do amor que não senti
fingindo que paixão pode esperar.

Devo viver o lado bom do inferno,
talvez o amor não seja tão eterno
como a luz que seduz a claridade.

Eis ninguém pode separar de mim
as memórias que planto no jardim
solar de meu rebanho de saudade.

Afonso Estebanez
(Este poema é dedicado à Comunidade
“Poemas à Flor da Pele” – meu imortal
Planeta de Origem... 17/03/2010)

9 de mar. de 2010

MULHER: TRAJETO DA VIDA



A mulher é a partida
no início da chegada.
Faz o trajeto da vida
luzidia da alvorada...

É a fênix renascida
é a alma despertada
a parte reconhecida
da vida reencarnada...

É o amor é o juízo
é a dor do paraíso
a verdade da ilusão...

A mulher é o desejo
é o fruto e é o beijo
e a causa do perdão!

Afonso Estebanez
PELO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

18 de jan. de 2010

BALADA PARA ZILDA ARNS



Hoje eu poderia morrer por tua causa
eu poderia até morrer de amor por ti.
Mas teu amor aflito me dá uma pausa
para morrer de amor maior por Haiti.

Só uma dor profunda sente tanta dor
maior que todo sofrimento que senti:
é a solidão da morte de não ter amor
o new apocalypse que varreu o Haiti.

Nós hoje poderíamos mudar o sonho
eu a dogmática verdade que aprendi
e tu a biografia obscura do medonho
apartaid racial que segregou o Haiti.

Hoje eu deveria viver por uma causa
que celebrasse a glória de viver aqui.
Porém a dor é tanta que parece rosa
sob os escombros ardilosos do Haiti.

Afonso Estebanez

*Zilda Arns Neumann
(Forquilhinha, 25 de agosto de 1934 — Porto Príncipe, 12 de janeiro de 2010) foi uma médica pediatra e sanitarista brasileira.

15 de jan. de 2010

A FOTO NA PAREDE



Meu retrato na parede
só traz uma novidade:
o fundo tinto de verde
ficou tinto de saudade.

O olhar pálido de sede
no poço da eternidade
é a luz filtrada na rede
da grade da liberdade.

Uma ruga me comove
de ter restado na vida
do nada que me ficou.

E só o sonho se move
na retina amanhecida
desta foto que restou.

A. Estebanez
(Dedicado com muito carinho
à amiga Lucia Borini Simões)

12 de jan. de 2010

SOB A LUZ DA ALMA



Não posso ver o teu mundo
com o olhar sem ver o meu
se estou no limbo profundo
da luz que o cosmo perdeu.

Mas se tanto me aprofundo
em teu fado onde estou eu,
enxergo o encanto fecundo
do mundo que agora é teu.

Pois o amor é essa inversão
que impõe ao sonho a razão
de crer mesmo sem querer,

sob um tênue véu de calma
tu te ocultas na minha alma
de onde a luz me faz te ver.


Afonso Estebanez
(Dedicado a Tania Sá
– tão gentil amiga)

14 de nov. de 2009

MEU SER EM CONSTRUÇÃO



Os meus sonhos de criança
(andorinhas das campinas)
eu deixei na minha infância
entre as pedras das colinas
mas ficou o contentamento
de lembrar da voz do vento
nos bailados das cortinas...

De mim mesmo o lavrador
fui como o cabo da enxada
cujo horizonte era o chão.
Fui meu próprio professor,
e aprendi que toda escada
tem os passos da alvorada
para o ser em construção.

Aprendi a escrever versos
e a espalhar o azul no céu
feliz dos sonhos dispersos
entre as nuvens de papel.
Deus então fica com pena
e me sopra algum poema
com gosto de flor de mel.


Afonso Estebanez
(Para Julis Calderón d’Estéfan
*a minha mais feliz contradição humana*)

11 de nov. de 2009

Canto Só




Chorei tanto
desencanto
que o canto
só por pena
se espantou
e do pranto
pelo quanto
por encanto
toda a pena
me levou...


Afonso Estebanez
(Dedicado à gentil Vânnia Barboza
– Ternura de Paquetá – 07.11.09)

20 de out. de 2009

DESPEDIDA



Se tu fores embora
amada,
não me digas nada
para que a saudade
tome o lugar
do susto
de te haver perdido.

Perder é o coração
ferido
saudade
é o coração
doído...

A. Estebanez
(Para Soninha Porto – despedida de
Bento Gonçalves em 11/10/2009)

11 de set. de 2009

DOCE ASFIXIA DE AMOR


(Tela de Alfred Gockel)

Ah, se te houvesse padecer o quanto
do tanto que esse amor desesperado
padeceu-me de enfado e desencanto
como um beijo nos lábios sepultado.

Ah, se me houvesse redimir o pranto
do tanto que te amei sem ter amado
em padecendo em ti morrendo tanto
como o canto de um pássaro calado.

O amor que me asfixia de esperança
também se cala e em ti retine mudo
como sino a tanger sem ressonância.

Ah, não te fora o místico ‘contudo’...
Eu perdoaria o ‘mas’ da intolerância.
E meu amor, sem ‘mas’, seria tudo!


Afonso Estebanez
(Dedicado a Maria Magali de Oliveira
– fiel companheira de jornada)

26 de ago. de 2009

SEM MOTIVO



Eu faço versos
porque o verso
é esse momento
em que o amor
dentro de mim
torna-me vivo,
para que assim
eu morra só do
contentamento
de ser feliz sem
precisar de ter
motivo...


A. Estebanez
(Homenagem a
Cecília Meireles)

9 de ago. de 2009

DO PARNASO PARA MEU PAI



Ah, saudade daquele tempo se envelheço
como a cadeira de balanço ali esquecida
por meu pai com o qual ainda me pareço
nesse cismar de amor e sonho pela vida...

Quando menino ouvia com ditoso apreço
histórias que vovó contava envaidecida...
Hoje sei que mudei! Sentindo reconheço
que saudade parece ausência sem partida...

Cadeira de balanço! Ô, exílio de saudade!
Tu guardas no madeiro minha tenra idade
que os da família o rústico perfil se esvai...

Eu lembro o meu avô e a prole reunida
e pressinto embalar-me na cadeira antiga
o vulto complacente de meu velho pai...

Afonso Estebanez
(A Manoel Stael – meu pai – in memoriam)

29 de jul. de 2009

(AS)AMOR(AS)



Bom é aprender a não colher amoras
além dos muros frágeis dos pomares
pois entre as aves moram as auroras
que vivem das amoras dos pomares.

Se Deus pode prover nossas desoras
com primícias do agora sem pesares,
proveja Deus, então, que tuas horas
sejam desoras para os teus pesares.

Se Deus quer operar algo espantoso
como o êxtase dos corpos estelares,
pode o amor de nós dois virar razão.

Se o amor vier do instinto generoso
será como as amoras e os pomares
onde esse amor pode virar paixão...


Afonso Estebanez
(Soneto dedicado a Jane Vasconcelos, pelo seu
aniversário, uma homenagem especial à exímia
formatadora das Rosas de Sarom)

2 de jul. de 2009

SONETO DO AMOR PRESENTE



Se o coração transpôs tanta distância
havida entre minh’alma e teu destino
é provável que eu torne à tua infância
e retome os meus sonhos de menino.

Às vezes fim e às vezes circunstância
vez por outra esperança ou desatino,
vai meu amor num rio de abundância
como a infância num gozo repentino.

Prometo não deixar que essa tristeza
descendente da ausência de nós dois
seja herdeira comum dessa saudade.

Quiçá o amor nos seja uma surpresa
em que sonhar não seja mais depois
mas agora em tamanha eternidade...

Afonso Estebanez
(Homenagem a Vinicius de Moraes)

O TAMANHO DO AMOR...



O amor pode ser muito mais simples
do que abrir a janela da alma de manhã
e contemplar aquela flor mais obscura
que nasceu por acaso em teu jardim...

A flor vai surpreender-te tanto
que não terás mais tempo para nada...
Nem mesmo para não acreditar
que no instante tão breve de uma flor
há um instante eterno para amar...

Ou muito mais que isto, pensarás
que és teu próprio mito de felicidade
se te fizeres brisa da manhã chuvosa...
Perceberás que o relógio do teu tempo
fica parado ao passar a eternidade
no perfume suave de uma rosa...

E Deus será teu cúmplice de êxtase
e proverá a eternidade para a tua flor...
É juízo d’Ele que tu tenhas a medida
das raízes mais profundas desta vida,
do tamanho do teu imenso amor!

Afonso Estebanez
(Dedicado à minha doce amiga
Luise Borghesi)

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