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23 de abr de 2009

‘DOCEPOEMA’:




UM TRIBUTO A CORA CORALINA

Eu sou o amor fiel das coisas simples
das conversas da brisa com a aurora.
Os realces dos brilhos sem requintes
que há nos rubis dos brincos
das amoras...
E eu sou a flor servil daqueles pomos
que saciam os sonhos das quimeras,
os frutos de verão dos meus outonos
entre o último estio
e as primaveras...
Guardo no corpo de jardins agrestes
as linhas de um poema à flor da pele
escrito pelas mãos do amor silvestre
para que em mim o amor
mais se revele...
Fiz com saudade a ponte da subida
deixei rosas na encosta das colinas.
Com coisas simples confeitei a vida
na doce lida de ser
Cora Coralina...

Afonso Estebanez
(Dedicado à comunidade *Poemas à Flor
da Pele* - Ger. Poetisa Soninha Porto/BR)

NA BEIRADA DO CAIS



Embarcado o poema,
o mar diz ‘nunca mais’...
Solto ou não as amarras
toco ou não meus navios
para longe do cais...

Desembarco o poema,
o mar cala os meus ais...
Assim deixo a saudade
rebocar meus navios
para perto do cais...

Feliz é a hora desmarcada
de pena da dor embarcada
no adeus da beira do cais!

Afonso Estebanez
(Dedicado ao notável poeta fluminense
Rodrigo Octávio Pereira de Andrade –
Cônsul de Poetas del Mundo para Cabo Frio/RJ
e Membro da Academia Cabista de Letras,
Artes e Ciências de Arraial do Cabo-RJ).

MEU LOBO



Meu lobo é essa ausência conspirada
na alcova de minha alma aprisionada
nos escombros de um vasto anoitecer.

O pasmo é que esta noite a liberdade
fez-me gritar mais alto que a saudade
da qual você nem mesmo quis saber.

Eu só sei que meu grito foi de espanto
desta saudade acuada em cada canto
de não sei onde ou como nem porque.

Só sei que foi um grito e tão profundo
que se ouvia no mais além do mundo
meu lobo uivar da ausência de você...

Afonso Estebanez
(Dedicado à talentosa poetisa
e amiga Glorinha Gaivota)

17 de abr de 2009

AMOR DE PRIMAVERA


O amor como a primavera
é um estado de vida urgente
que não deve ser esperado
como chuva de verão...
Não, amor, não deve não!

É necessário levantar bem cedo
(enquanto a aurora dorme ainda)
e partir à procura do amor
nas lonjuras do coração...
Antes que chegue o verão!

Bom levar a vida bêbada
num traçado de brisa ao ponto
que ao sonho a alma se junta...
Antes que seja tão tarde
e ao amor pareça nunca!

Afonso Estebanez
(Dedicado à poetisa Sônia Medeiros Imamura
*Cônsul de Poetas del Mundo em Búzios/RJ)

NONA ROSA DE SAROM


Eu vivo como quem nas pétalas das rosas
transcreve um êxodus de roseirais em flor
onde as fugas de amor por vias dolorosas
conduzem rosas para um canaã de amor.

O encanto da paixão por vias espinhosas
entre as rosas não é mais símbolo de dor
onde os lírios da fé são flores milagrosas
da Rosa de Sarom em todo o resplendor.

Faço de rosas o óleo santo das candeias
que faz fluir a lume o sangue pelas veias
a estes jardins em festa no meu coração.

Todo o que crê nas rosas nunca morrerá
que a primavera é o jeito do que nascerá
de crer na rosa muito mais que na razão!

Afonso Estebanez

MEU PLANETA HABITÁVEL


Pelo menos uma vez na vida
permito que meu coração avesso
seja o único planeta habitável
da via-láctea farta de mim...

Deixo encostado o portão do meu jardim
e entro em casa pelos fundos de minha alma
para não sujar o tapete da porta de entrada
preparado para quando chegar a primavera...

Todo amor começa com a espera...
E enquanto você não chega,
faço do instante mais eterno
o mais breve momento
de você chegar...

Não importa se demorar...
A certeza me é o bastante
e você me vem em pensamento
antes mesmo de você chegar...

Afonso Estebanez
(Dedicado à minha notável
amiga La Bianchi – “Bia”)

MODINHA DE AMOR


Meu amor é o sofrimento
que me dói sem padecer
do eterno contentamento
do que morre sem morrer.

É de flores sem espinhos
que não têm do que doer
que se sofre de carinhos
sem que se possa sofrer.

Se não é amor não chora
ou se chora é sem querer
como lágrimas de aurora
nos olhos do amanhecer.

O amor de nada precisa,
só mesmo de acontecer.
Mas se chega não avisa
que sua dor é de prazer.

Afonso Estebanez
(Dedicado à solidária amiga
cearense Vania Gondim)

15 de abr de 2009

RESSURREIÇÃO DE MIM...


Quando menino – a vida em preto e branco –
eu era tão humilde que acabava brigando com o Natal,
com a Páscoa e, às-vezes-quase-sempre, até com o dia
do meu aniversário...

Então eu acabei optando por fazer de todos os dias
de minha vida o meu Dia de Papai Noel...
Como não posso distribuir presentes nem chocolates
para todos os encantadores de meu inquieto coração,
distribuo-lhes poemas...

O que hoje faz de mim o primeiro da fila
no dia de ganhar algum presente do amor
que eu tenho pela vida...

Afonso Estebanez
(A todos os encantadores de minha
página – Páscoa de 2009)

9 de abr de 2009

TUDO MENTIRA



Eu não fico de mal com minhas rosas
pois que é tudo mentira dos espinhos
que há na intriga das flores invejosas
das urtigas que beiram
meus carinhos.

É meu fado entre as flores amorosas
cuidar que os desencantos do jardim
reencantem-se das flores generosas
do canteiro de rosas
que há em mim.

Tudo mentira, as urzes são formosas
se como as rosas são compadecidas
da flor entre as escarpas pedregosas
do deserto de amor
de nossas vidas.


Afonso Estebanez
(Dedicado à minha querida e doce irmã
Vera Lúcia Stael Paris – Ver@ P@aris)

NÃO PENSA!



Quando um sonho bater em tua porta, pensa bem...
Pode até ser que não seja um sonho. Mas pode ser
o último sonho de tua vida.

Quando um anjo bater em tua porta, pensa bem...
Pode até ser que não seja um anjo. Mas pode ser
o último anjo de tua vida.

Quando a brisa beijar a tua face, pensa bem...
Pode até ser que nem seja a brisa. Mas pode ser
o último beijo de uma brisa.

Quando o amor bater na porta de teu coração,
pensa bem... Pode até ser que não seja o amor.
Mas pode ser o único amor de tua vida.

Quando sentires que tu queres entrar em tua vida,
não pensa! Abra a porta e deixa teu Eu entrar
rompendo as velhas trancas de tua entrada proibida.
Porque esta deve ser a última vez que Deus tenta
entrar para sempre em tua vida...

Julis Calderón & Afonso Estebanez

DOIS AMORES E UM AMOR



É apenas mais um ato que termina
cada dia que passa em minha vida
na ribalta do amor que me fascina
onde não há partir nem despedida.

É sabido que eu vivo dois amores
que só vivem do amor indivisível
deste favo de mel de dois sabores
repartido num quântico plausível.

E vivo desse amor feito de calma
da vida calma que só eu suponho
como suponho que viver da alma
seja vida na alma de outro sonho.

Na ribalta do amor que te fascina
onde não há mais hora de partida
é apenas como o dia que termina
cada noite que passa em tua vida.


Afonso Estebanez
(Poema dedicado à notável articulista
da fraternidade virtual Eva Almeida -
“Eva Ama Dois”)

SONETO DO AMOR CATIVO


Quantas vezes, querida, apenas desejei
sonhar para viver do sonho que não tive
por falta de razão em tudo o que sonhei
vivendo por capricho onde jamais estive.

Querida! Quantas vezes eu então tentei,
mas nunca consegui viver como se vive
despertado do sonho que não despertei
como o teu pássaro cativo, mesmo livre.

E vão entardecendo nossas esperanças
num funeral tardio de letais lembranças,
a despeito da vida que ainda pulsa nele.

E não me doa mais o amor de cativeiro:
se este sonho ficar, seja ele derradeiro.
E se ficar o amor, eu vou ficar com ele!


Afonso Estebanez
(Dedicado à notável poetisa e amiga
Marisa Pasternak “Anjopoesia”)

TARDE DE DOMINGO



Essa tarde de domingo
e essa chuvinha caindo
e esse triste bem-te-vi...

Essa memória de rosas
nas goteiras lacrimosas
das horas que já perdi...

Essa tristeza insistente
gotejando para sempre
minhas saudades de ti...

Afonso Estebanez
(Dedicado com carinho à fiel amiga
Kátia Luzia de Figueiredo Fernandes
“Doce Romântica”)

CONFISSÃO



Feliz de mim quando tu vens
ao confessionário do meu coração
falar do amor que ainda me tens
onde perdestes tua própria alma
num labirinto de solidão...

Louvores ao amor que te absolve
e te devolve a paz e a luz e a calma
sempre que lhe dás a oportunidade
de reencontrar a tua alma...

Bem-aventuradas são as almas
que confessam seu amor perdido
do qual nunca se perderam...

É preciso viver para perder-se
o quanto é necessário perder-se
para se encontrar na solidão...

Bem-aventuradas as nossas almas
separadas... Eis porque juntas,
jamais se perderão...

Afonso Estebanez
(Dedicado à carinhosa amiga
Sandra Mello “Flor”)

E O TEMPO NÃO LEVOU...



Meus castelos de esperança
com suas torres de marfim:
as pedras são as da infância
que guardei dentro de mim

como guardo em tolerância
o que a dor doeu-me assim
sendo a dor a circunstância
dos espinhos de um jardim.

O tempo não toma a aurora
pois a aurora é da alvorada:
meu lume eterno que mora
nos olhos de minha amada.

Afonso Estebanez
(Dedicado à notável poetisa e amiga
Ana Beatriz Nascimento – Bia Poesias)

CONFISSÃO



Feliz de mim quando tu vens
ao confessionário do meu coração
falar do amor que ainda me tens
onde perdestes tua própria alma
num labirinto de solidão...

Louvores ao amor que te absolve
e te devolve a paz e a luz e a calma
sempre que lhe dás a oportunidade
de reencontrar a tua alma...

Bem-aventuradas são as almas
que confessam seu amor perdido
do qual nunca se perderam...

É preciso viver para perder-se
o quanto é necessário perder-se
para se encontrar na solidão...

Bem-aventuradas as nossas almas
separadas... Eis porque juntas,
jamais se perderão...

Afonso Estebanez

E O VENTO NÃO LEVOU...




Minha primeira letra do alfabeto grego
o princípio do amor das aulas de latim
o beta do bendito beijo no aconchego
do primeiro capítulo do amor de mim.

O ciúme que de ti eu tenho por tolice,
a ponto de me declarar em guerra fria
e pôr no dia da batalha uma meiguice
que faça a minha noite clarear teu dia.

E o vento não levou a lucidez da pena
que pago como por dever de gratidão
pelo fato de não ter sido tão pequena
tua herança terrena havida do perdão

que o vento não levou e nunca levaria
da memória da vida agora despertada
do destino capaz de ouvir da ventania
a paz da sinfonia eterna da alvorada...

Afonso Estebanez
(Poema dedicado à poetisa brasileira
Genaura Tormin – com meu carinho)

OITAVA ROSA DE SAROM




É preciso enxergar com a visão da aurora
os canteiros de luz nos olhos da alvorada
e crer que as rosas estão lá antes da hora
como servas das antecâmaras da amada.

É preciso convir que não existe o outrora
que rosas sempre têm a brisa perfumada
no topo do futuro que foi sempre o agora
como o êxtase da primavera despertada.

Rosas são infinitas como é a minha fome
do amor eterno que me vive tão profundo
que já nem pode me deixar sem padecer.

Eu vivo pela dor que meu amor consome
na luz de minhas rosas únicas no mundo
que me resgatarão da morte se morrer...

Afonso Estebanez

SÉTIMA ROSA DE SAROM



Minha sétima rosa é a última que a vida
fez na memória do deserto deslembrada
de que no mundo toda flor é concebida
para lembrar de uma verdade revelada.

A verdade da rosa é a aurora resumida
em primavera do deserto sem ter nada
eis que do nada cada rosa é presumida
como uma dádiva profana consagrada.

E Deus é pompa pela tua circunstância
de ser amada com amor em abundância
por esse meu amor inculto de aprendiz.

Mas a sétima rosa induz-me o coração
a reduzir todo esse amor numa paixão
que faz de mim o teu amado mais feliz.

Afonso Estebanez

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